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A Universidade Rovuma acolheu, na manhã de hoje, no Campus de Napipine o lançamento dum dicionário cuja edição vinha sendo preparada a mais de 30 anos, pelo intelectual francês Michel Laban, já falecido.

 

Intitulado Dicionário de Particularidades Lexicais e Morfossintáticas da Expressão Literária em Português: Moçambique, a obra foi iniciada por Laban, concluíndo-se em Agosto do ano passado por Maria José Fernandes Laban (esposa) e Maria Helena Carreira, docente reformada e colega de Laban e amiga do casal.

Segundo Maria Fernandes Laban explicou, na apresentação da obra, que o dicionário já teria saído a público há bastante tempo, mas razões de ordem financeira ditaram o seu atraso.

Para superar esta lacuna, alguns escritores moçambicanos, designadamente, Mia Couto, Francisco Noa e Fátima Mendonça, tiveram um papel perponderante para convencer a Fundação Calouste Kulbenkian a financiar a sua publicação.

“O meu marido trabalhou há mais de 30 anos para constituír esta obra e ficar sem ela seria uma pena e nós as duas continuamos com o trabalho até chegarmos a esta fase”, acrescentou Maria Fernandes Laban.

Por sua vez, Maria Helena Carreira considerou ter sido “uma aventura muito grande” e um privilégio para elas darem continuidade e finalizarem o dicionário, que o considerou “uma referência para Moçambique e para a língua portuguesa”.

A obra contribui para o conhecimento da língua portuguesa, por via do estudo das particularidades do português literário de Moçambique. É um dicionário que abarca um período de cerca de quatro séculos (1609-2004), 239 autores e 477 obras, das quais 118 não literárias.

O dicionário, em dois volumes, propõe entradas seguidas de uma classificação morfológica, citações nas quais figura a entrada e as definições dadas pelos próprios autores.

Vasco da Gama