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Urologista pede intervenção de todos os cidadãos por o assunto “ser sério” no País

O urologista moçambicano e especialista obstetra, Igor Vaz, pediu a intervenção de todos os cidadãos de “boa fé” na campanha contra a fístula obstétrica em curso no País, em geral, e na província de Nampula, em particular.

Falando na última Segunda-feira, na cidade de Nampula, numa palestra organizada pela Universidade Pedagógica – Delegação de Nampula, Igor Vaz considerou a situação da fístula obstétrica em Moçambique como “muito séria” e que o seu combate deve envolver a todos os cidadãos.

É no quadro desse envolvimento que ele disse ter aceite o convite do Magnífico Reitor da Universidade Pedagógica, Prof. Dr. Jorge Ferrão, para proferir palestras em torno do tema, para sensibilizar o maior número de cidadãos nesse desafio a as próprias vítimas desta enfermidade para se dirigirem aos centros de saúde ou hospitais para o devido tratamento. Dr Igor Vaz

A campanha para o efeito iniciou há bastante tempo, segundo o Doutor Vaz, através da organização “Focus Fístula”, a que ele próprio pertence e que trabalha com o Ministério da Saúde a outros parceiros na promoção, tratamento e reintegração social das mulheres padecendo desta doença.

“A situação da fístula no País é séria, nós aqui presentes temos que ser mensageiros das nossas comunidades para sensibilizá-las sobre o perigo que representa esta doença para a saúde pública”, acrescentou Igor Vaz, na palestra que constituiu uma verdadeira aula de medicina, presenciada cidadãos de diferentes estratos sociais, concentradas numa das salas de conferência da “Mónica Shopping”.

O especialista criticou, de forma vigorosa, certos pais, esposos e outros familiares que desprezam parentes que tenham contraído a fístula obstétrica, afirmando que “esses familiares não as ajudam no momento em que elas mais precisam de apoio, abandonando-as e até expulsando-as do convívio familiar”.

“Isso é mau. O Ministério da Saúde está a trabalhar para acabar com essas maldades que ocorrem tanto nas comunidades, como nos nossos próprios hospitais contra mulheres afectadas por esta doença. Vimos que as escolas têem responsabilidades na educação das meninas para evitarem a contracção desta doença, por isso apostamos trabalhar com a UP nesta campanha”, explicou.

Segundo números disponibilizados pelo Doutor Igor Vaz à margem da palestra, Moçambique tem um enorme défice de especialistas ligados a esta área, contando, apenas, com 65 urologistas, sendo quatro destes moçambicanos.

Cerca de 500 mulheres são operadas à fístula obstétrica no País, anualmente, sendo as províncias de Nampula e Niassa as que apresentam números elevados de pessoas afectadas.

Dr Igor VazPor seu turno, o director da UPN, Prof. Dr. Mário Jorge Brito dos Santos, deixou claro que a instituição está aberta a iniciativas de género, dando mais espaço ao MISAU para abordagem de outros tipos de doenças que afligem as nossas sociedades.

“Queremos garantir ao Doutor Igor Vaz que estamos abertos para organizarmos palestras para falarmos desta e de outras doenças complexas, as quais fazem com que até discriminemos as nossas próprias familiares e nossos próximos”, reiterou Brito dos Santos.

Vasco da Gama