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O tráfico de pessoas, órgãos e partes do corpo humano reduziu, consideravelmente, nos últimos dois anos na região norte de Moçambique, segundo um estudo realizado pela Igreja Católica e divulgado na Segunda – feira, no Anfiteatro 1 da Universidade Pedagógica – Delegação de Nampula.

O estudo, encomendado pela Comissão Episcopal para Migrantes, Refugiados e Deslocados (CEMIRDE) e financiado pela Agência Católica para o Desenvolvimento Ultramarino (CAFOD) e STICHTING BVA – da Holanda, considera que apesar dessa redução deve-se “trabalhar mais” para se combater em definitivo.

Elaborado pelas investigadoras Andrea Moreira e Esmeralda Mariano, o estudo visa três províncias do norte do País, nomeadamente, Nampula – Nampula Cidade, Monapo e Nacala-Porto – Cabo Delgado – Pemba, Montepuez e Palma – e Niassa – Lichinga, Mandimba e Cuamba -, regiões que, segundo as autoras, registam especificidades peculiares, propensas a imigrantes ilegais, entre outros factores.

Ao apresentar o estudo, a pesquisadora Andrea Moreira apontou aquilo que chamou de “contornos do tráfico”, mencionando, nomeadamente, a migração irregular, os casamentos forçados, exploração sexual, o transplante de órgãos, num fenómeno em que não escapam crianças e pessoas portadoras de albinismo.

Moreira considerou Moçambique como um “país atraente” em toda região da África Austral, pois a partir daqui pode-se atingir a África do Sul, para onde os imigrantes ilegais e/ou pessoas traficadas se dirigem enganados supostamente pelo fácil emprego e melhores condições de vida. 

O estudo apresenta testemunhos, quer de anónimos como não, relatando actos vivenciados e as possíveis causas deste fenómeno, que atingiu o seu auge em 1916.

A triste realidade de tráfico de pessoas, órgãos e partes do corpo humano constitui, segundo o relatório, uma das formas hediondas de enriquecimento ilícito, que viola profundamente os direitos humanos e tem que ser prevenido e combatido por todas as forças da sociedade.

Comportando um total de 74 páginas, este é o segundo estudo que a CEMIRDE encomenda, depois do realizado nas províncias do sul do País, designadamente, Maputo, Gaza e Inhambane.

Vasco da Gama